sexta-feira, 29 de julho de 2011

Telepatia: métricas e experimentos

A capacidade de se comunicar instantaneamente, independente das distâncias é um antigo sonho humano que nos impulsionou a criação de meios de comunicação poderosos como o rádio, o telefone e a internet. Todos estes meios, entretanto dependem de meios externos e estão de uma forma ou de outra atrelados aos nossos sentidos naturais. A vontade de transcender estas limitações fez com que por toda a história se falasse de uma capacidade aparentemente de transmitir diretamente os pensamentos de uma mente para outra. Embora ainda cause espanto em muitos, como este artigo mostrará a telepatia nada tem de miraculosa e pode ser medida e exercitada com exatidão matemática.

Esta capacidade é conhecida desde o século XIX pelo nome de Telepatia quando Frederick W.H Myrer cunhou o termo em 1882. A palavra tem origem grega e une o prefixo "tele", que significa "distância" com o sufixo "patheia" que significa "sentir". Um termo que portanto define qualquer comunicação entre duas mentes sem a utilização dos canais sensoriais conhecidos.

Em muitas famílias existem casos de telepatia rotineiros. Ao vivermos muito tempo com a mesma pessoa é comum que uma consiga descobrir o que a outra esta pensando ou querendo, mesmo sem qualquer tipo de indicação. Isso pode ser testemunhado quando pensamos em alguém e logo em seguida o telefone toca com a outra pessoa do outra lado da linha ou quando cantarolamos uma música que sem sabermos estava tocando na cabeça de outra pessoa próxima a nós. Interessante notar que estes casos são mais comuns quanto maior a afinidade entre as pessoas. Os céticos defendem que tais fenômenos ocorrem porque as pessoas com a convivência se tornam mais parecidas sendo levadas a pensar e se comportar de modo semelhante. Entretanto os exemplos não se restringem apenas aos casos domésticos, mas também ganharam interesse de pesquisas acadêmicas e militares.

A abordagem científica a telepatia

Ao contrário do que o grande público pensa, telepatia é hoje um fato demonstrável e comprovado graças ao avanço da parapsicologia, em especial das pesquisas pioneiras publicadas por Joseph Banks Rhine na primeira metade do século XX. Por outro lado os mecanismos pelos quais ela funciona ainda são motivo de muito debate e controvérsia entre os pesquisadores. Alguns especialistas dizem que esse é um fenômeno puramente psíquico, enquanto outros sustentam que é físico. Os mais céticos negam ainda essas hipótese, alegando que tudo que podemos dizer com certeza é que dois centros nervosos são capazes de manter uma comunicação simples e temporária que superam estatisticamente os resultados que poderiam ser obtidos por pura sorte. Por outro lado existem os especialistas que avançam em suas especulações e defendem a tese de que , no misterioso processo de transferência de pensamento, a segunda pessoa não é diretamente influenciada pela primeira, funcionando somente como receptora das mensagens de uma mente superior na qual todas as outras mentes estariam relacionadas.

O professor de psicologia da Universidade de Duke, Estados Unidos, Karl Zener criou na década de 1930 um sistema simples e preciso que possibilita avaliar a capacidade de transmissão ou leitura de pensamento de cada pessoa. Esse método utiliza um baralho especialmente concebido para este propósito, composto por 25 cartas divididas em 5 grupos cada um representado por um desenho de fácil identificação - estrela, cruz, circulo quadrado e linhas paralelas ondulantes. A experiência propõe que o receptor adivinhe a seqüência das cartas visualizadas pelo transmissor. Como existem 5 grupos de 5 cartas. O acaso estatístico permite uma única resposta certa sobre 5 cartas ou 5 para 25 em um baralho completo. Se o receptor consegue adivinhar mais de 5 vezes em cada teste com o baralho Zener, isso permite supor a existência de uma certa receptividade ä transmissão do pensamento. Se isso acontece dez vezes por teste, pode-se supor a ocorrência de um feliz acaso, mas se a média de êxitos for constante sobre muitas dezenas de transmissões então o fator sorte está matematicamente descartada.

A partir de 1935 o Laboratório de Parapsicologia dentro da Universidade de Duke, realizou mais de 100 mil experimentos e descobriu que a média de acertos é 7 cartas sobre 25 - lembrando que a média do acaso seria de 5 cartas sobre 25. Uma vez que as pessoas selecionadas para a pesquisa não precisavam preencher quaisquer critérios essa ponderação engloba tanto os resultados conseguidos pelas pessoas dotadas como pelas de baixo poder psíquico, tornando-se uma espécie de média humana de capacidade telepática.

A pesquisa chamou atenção das inteligências militares que estavam a véspera da Segunda Guerra Mundial. Tanto os aliados como o eixo realizaram testes, principalmente com transmissores localizados em terra firme e receptores a bordo de submarinos submersos. Na União Soviética em experiências realizadas entre Moscou e Vladivostok (uma distância aproximada de 6.300 km) os índices de acertos aproximaram-se dos 95%. Desses experimentos participaram apenas pessoas dotadas de comprovada percepção extra-sensorial, após um longo processo de triagem e vários meses de treinamento diário.

Outro exemplo retirado da literatura especializada conta que enquanto trabalhava em seu jardim em Cleveland, Fred Trusty teve subitamente uma estranha sensação de urgência. Abandonou as ferramentas e voltou seus olhos sem pensar para um pequeno lago situado no fundo de sua propriedade. Tudo parecia calmo. Quando ia voltar ao trabalho sentiu de novo o apelo misterioso e desta vez viu um boné flutuando sobre a água, nem no centro do lago. Sem hesitar ele correu e mergulhou. No fundo da água viu o corpo de uma criança. Era seu filho: ele o retirou de lá a tempo de reanimá-lo.

A capacidade de receber e transmitir pensamentos parece se intensificar em momentos de crise. Durante a guerra que se seguiu são incontáveis os casos na literatura especializada que contam de pais afastados de seus filhos que subitamente os contataram no final da vida. Até mesmo Sigmund Freud, conhecido por seu ceticismo, cita o caso de uma refugiada tcheca nos Estados Unidos que foi acometida por uma terrível angustia e desespero pois sabia que sua mãe, que ficará na Tchecoslováquia acabara de morrer. Marido e amigos tentaram em vão confortá-la e dois dias depois chegou um telegrama avisando sobre o falecimento de sua mãe. Considerando a diferença de sete horas entre Praga e Nova York, Freud constatou que o momento de sua angustia coincidiu exatamente com o instante do falecimento.

Como testar e desenvolver sua habilidade telepatica

Imprima cinco cópias da imagem abaixo e recorte: você precisará ter 25 cartas no total. Se você puder enxergar os símbolos pelo verso do papel cole outra camada de papel junto da primeira.

Cartas Zenner

Embaralhe as cartas com os símbolos para baixo e entregue para uma pessoa que será seu transmissor.Para controle tenha uma folha com três colunas e 25 linhas. As colunas devem ser classificadas como: RECEPÇÃO - TRANSMISSÃO - RESULTADO. Na primeira coluna coloque a carta que vier a sua mente. Na segunda coloque a carta que seu transmissor visualizou após ela ser reveladas. Na última coluna marque um x para cada acerto que tiver. Qualquer pontuação superior a 5 pontos equivale a 20% que são as chances de acertar por mero acaso. Marcações superiores a cinco pontos indicam a presença de algum poder de recepção.

É essencial a participação de uma segunda pessoa neste teste pois ela visualizará cada uma das cartas que você tentará descobrir qual é. Na ausência de um transmissor você estará medindo apenas sua capacidade de premonição (conhecimento futuro) e não sua capacidade telepática. Seja medindo seu grau telepático ou premonitório diversos fatores emocionais e ambientais podem influenciar nos resultados, assim é indicado a realização de vários testes antes de chegar a uma média que realista. Não apenas isso, mas a média costuma aumentar com o número de testes, indicando que as habilidades psíquicas podem ser exercitadas assim como a mente e os músculos.

Pelas pesquisas realizadas podemos afirmar que todas as pessoas possuem forças telepáticas latentes em diversas graduações e que estes poderes podem ser treinados e desenvolvidos. Por outro lado, as pesquisas indicam que a telepatia não é um processo apenas intelectual. Muito pelo contrário uma racionalização excessiva pode inclusive prejudicar as transmissões que podem ser reforçadas e amplificadas pelas emoções envolvidas quase da mesma forma que fazemos com as ondas de rádio. Ao que parece, tudo depende de existir dentro de nós alguma coisa que corresponda ao pensamento a ser transmitido e que lhe sirva de impulso.

Visão Remota

A Clarividência ou Visão Remota é uma forma paranormal de percepção caracterizada pela recepção de imagens mentais na mente consciente de uma pessoa. Difere-se da telepatia por ser um fenômeno isolado e espontâneo. Podemos dizer que enquanto a telepatia tenta estabelecer um diálogo e simular mentalmente a fala e a audição, a clarividência se assemelha mais ao sentido da visão por ser mais contemplativo, motivo pelo qual é conhecido por algumas escolas de ocultismo como "visão espiritual" ou "segunda visão".

Tipos de Clarividência

Para fins de estudo classificamos a Clarividência em três sub-fenômenos distintos. Uma visão que traga informações do presente é a chamada Clarividência Clássica. Uma visão com informações do passado recebe o nome de Retrocognição. Por fim, uma visão com informações do futuro é chamada de Precognição. veremos a seguir um exemplo de cada tipo:

Precognição - Clarividência do Futuro

Existem centenas de casos catalogaos, mas neste artigo destacaremos aquele que talvez seja o mais famoso de todos. Como todos sabem o famoso navio Titanic naufragou na madrugada de 14 para 15 de abril de 1912. Desde o dia 23 de março do mesmo ano, Mr. J. O'Connor e família já tinham suas reservas. O que poucas pessoas sabem é que existem provas documentadas do diário de Mr. O`Connor atestando que sonhou que "via o navio com a quilha no ar e a bagagem e os passageiros flutuando nas águas ao redor". O`Connor não queria assustar seus filhos e manteve para si este relato. O sonho se repetiu algumas noites depois. Não podendo mais ignorar este relato de sua mente disse então a todos que iria cancelar suas reservas. Este é um dos casos melhores documentados da história pois foi acompanhado pela Society for Psychical Research de Londres, solicitação feita pelo próprio vidente antes que a tragédia histórica se confirmasse.

Retrocognição - Clarividência do Passado

Outro caso bastante famoso aconteceu com o músico alemão Léon Bach, descendente do célebre compositor Johann Sabastian Bach. Ele acabara de adquirir uma antiga espineta, um tipo de instrumento musical semelhante ao cravo. O artefato lhe havia sido vendido por um comerciante que não soube precisar a origem do instrumento. Na primeira noite em que Léon Bach levou o instrumento para sua casa ele teve um sonho revelador: viu um jovem vestido como um fidalgo do século 16, que lhe contou que o rei Henrique III da França o presenteava com o instrumento e tocou nele uma música que o agradou muito. Nesse ponto o sonho se interrompeu. Pela manhã, Bach descobriu que o vendedor havia lhe deixado um presente - era um manuscrito da canção, com letra e música que ele ouvira no sonho com caracteres e anotações daquela época. Uma pesquisa feita posteriormente confirmaram que um músico italiano de nome Baldasarini ou Balthazarini era amigo próximo do rei Henrique III que viveu entre 1551-1589 e desfrutado de seus favores durante muito tempo.

Clarividência clássica - Informações do Presente

Massímo Inardi em seu livro "A História da Parasicologia", conta um caso de clarividência a distância bastante ilustrativo que contem todos os elementos normalmente presentes nas manifestações pisíquicas desta natureza. A história aconteceu em Boston, Estados Unidos. Diz ele que havia um redator cujo nome era Edmund Sampson. Desde há muitos anos ele desempenhava as funções de redator chefe da crônica noturna do Boston Globe. Na noite de 10 de agosto de 1883, meio bêbado, apresentou-se na hora habitual do seu posto de trabalho. Em vez de começar a trabalhar, mal caio na cadeira naquela noite e caiu num pesado sono ao ponto de seus colegas acharem melhor não incomodá-lo. As três da manhã o homem acordo de sobressalto sob o efeito de um pesadelo. Tinha tido um sonho tão horrível que acordou gritando aterrorizado, Pálido, suado em estado lastimável demorou alguns minutos para se recuperar. Depois disse que visto imagens de um vulcão em violenta erupção numa ilha perdida nos mares do sul, que em seu sonho ouvir chamar de Pralape. Assitiu as cenas de pânico da pequena população que fugiu como louca em direção ao mar, seguida de uma imensa fumaça e enormes rios de lava incandescente. Ele calculou que o número de pessoas que viu morrer se aproximava das 36 mil. Sampson ficou tão convencido do que vira, tamanho o realismo e detalhamento do que experimentou que escreveu um artigo que acabou sendo publicado na edição do dia seguinte da Boston Globe. O relato se espalhou pelo mundo e milhares de pessoas leram a notícia. Só que nenhuma fonte oficial confirmou o fato e o jornal foi acusado de ter praticado um truque para aumentar as vendas pois nem sequer havia no mapa do mundo qualquer menção ao uma ilha chamada Pralape. Como era de se esperar Sampson foi despedido, mas 24 horas depois chegou a notícia do cataclismo. Relatos oficiais foram se completando, confirmando a descrição de Sampson. A única diferença estava no nome, pois o vulcão que entrara em atividade era o Perbuatan, na Indonésia que presenciou a famosa catástrofe da ilha de Krakatoa. Só mais tarde soube-se que a ilha dois séculos antes era conhecida pelos nativos pelo nome de Pralape, tal como no sonho do redator,

Magia e Clarividência

Estes são apenas três casos entre muitos outros de um vasto acervo na literatura parapsicológica. São de fato tão comuns que alguns estudiosos começaram a pesquisar se eles poderiam ser induzidos. Será que eles só ocorrem espontaneamente em pessoas que nasceram com este dom em particular, ou será que podem ser induzidas por meio de alguma técnica especial como parece ser o caso na prática do xamanismo no qual os praticantes alegam não apenas enxergar o que está ocorrendo a distância mas também transmitir visões específicas para outras pessoas.

William Jon Watkins autor do livro "Manual de Experimentos Parapsíquicos" é um dos que dizem que a clarividência pode ser criada artificialmente seguindo alguns padrões que ele identificou após estudar centenas de casos semelhantes e os comparar com as técnicas tradicionais de xamãs e feiticeiros. Em seu livro ele afirma ainda que não existe diferenças práticas entre uma clarividência intencional e o que é tradicionalmente conhecido como magia.

Ele propõe o que diz ser uma técnica com a qual pessoa pode mandar uma imagem mental para outra. Para ele quase todos os rituais praticados por ocultistas são na verdade uma forma de enviar uma sugestão mental para uma outra pessoa e então deixar que as imagens transmitidas operem em sua mente. Imagens de saúde e alegria podem resultar em uma significativa melhora da saúde. Imagem eróticas podem se desenvolver em comportamento erótico enquanto que cenas de ódio e terror possuem um efeito maléfico destrutivo na vida do alvo.

O entendimento da magia como sendo uma técnica de clarividência induzida pode explicar também a chamada "Lei do Retorno" que entre ocultistas ensina que uma operação mágica sempre retorna de alguma forma ao mago. Afinal, para enviar imagens de destruição e dor ele mesmo deve preencher sua própria mente com dor e destruição. E estas imagens tem por sua vez suas próprias consequências na mente do emissor. O sucesso de uma operação mágica depende sempre portanto da sugestionabilidade do receptor. Isso pode ser facilmente medido dando ordens simples mas sem muita explicação para as pessoas. Diga para alguém dar um sorriso bem largo. Se a pessoa fizer rapidamente, sem perguntar porque ela é um bom alvo. Nesta concepção o mago perfeito é aquele que possui uma Vontade poderosa, e portanto pouco influenciadas por sugestões de qualquer tipo.

Anatomia da Visão Remota

Visto isso, temos que as condições para a produção de uma clarividência induzida são as seguintes:

1 - O Emissor precisar ter a firme Vontade de enviar a mensagem.

2 - A mensagem deve ser simples, clara e forte.

3 - O emissor deve visualizar o receptor dormindo e ter firme convicção de que a mensagem chegará em seu destino.

Uma informação relevante apresentada aqui é que a sugestão produz um efeito melhor quando o receptor esta dormindo e ainda maior quando dorme um sonho pesado. Quando dormimos necessariamente desligamos uma série de censuras e controles de comportamento que mantemos em funcionamento durante o dia e nos entregamos as diversas imagens produzidas pelos sonhos. Este estado vulnerável é altamente indicado para a recepção mental. Isso explica porque tantos trabalhos de magia seja de maldições ou de cura são praticados a noite quando o receptor ou o paciente está dormindo.

Watkins afirma que essas condições fazem parte dos rituais e cerimônias de caráter mágicos praticadas a milênios em diversas culturas. Se não forem obedecidas prejudicarão o resultado da operação. Ele explica ainda que a principal diferença entre as diversas escolas de magia reside no método usado para excitar a mente do mago ou sacerdote. São freqüentes o derramamento de sangue ou o uso de alguma espécie de psicotrópico ou ato sexual. Também são vários os casos em que a mente se inflama em orações ou alguma meditação profunda. Seja como for, todas elas empregam-se rituais que utilizam um certo número de símbolos associados ao propósito que se tem em vista.

Algumas tradições ocultas afirmam que um sacrifício de sangue é necessário nestes casos, seja do próprio mago ou de algum sacrifício. Isso porque supostamente o sangue contém vibrações que atraem entidades que facilitam a projeção mental. Alguns povos crêem em seres espirituais ou da natureza, enquanto que durante a idade média confiava-se nos poderes de anjos e demônios para tais fins. Entretanto Watkins pensa que esta é apenas uma crença psicológica para se eximir da responsabilidade pelo ato do assassinato e lançá-la sobre terceiros não-humanos que, se é que existem, não podem se defender destas acusações. Em contraste a estas tradições existem muitas outras práticas mágicas igualmente antigas que conseguem o mesmo resultado sem o apelo a violência e a morte de seres humanos ou animais.

Como enviar uma imagem mental

Tendo-se a certeza de preencher os requisitos passados acima, podemos descrever agora uma técnica não-religiosa para projeção de uma imagem mental, ou se preferir para induzir a clarividência e enviar uma sugestão mental a mente de outra pessoa. Conforme foi dito, a mensagem deve ser simples, clara e forte. Coloque-a em um papel para lhe dar uma forma concreta e tente reluzi-la ao mínimo de palavras necessárias para resumir a essência da sua mensagem. Também é necessária que a mensagem seja emocionalmente relevante ou ao menos emocionalmente carregada na hora de ser transmitida.

Como vimos cima, muitos casos de clarividência ocorre quando a pessoa está em estado de sono profundo. Assim, descubra qual o horário que a pessoa se retira para dormir e então execute o restante da operação cerca de 4 horas depois. Isso garante que o alvo esteja na fase mais pesada do seu sono onde sua mente estará mais receptiva as sugestões enviadas.

Em um ambiente tranqüilo visualize a pessoa o mais fortemente que puder. Faz parte das tradições ocultas um rigoroso exercício da própria imaginação de modo a poder criar-se imagens fortes e realistas com a própria mente. Se você não tem nenhum treinamento, os resultados podem não ser tão evidentes. Neste caso pode ser útil olhar para uma foto da pessoa ao mesmo tempo em que tenta evocar em sua mente seus atributos, voz, cheiro e comportamento. O objetivo é observar mentalmente a sua forma com todas as características que puder como se estivesse de fato junto dela.

Quando a imagem estiver bastante nítida, repita a mensagem previamente definida sem perder da mente o receptor da mensagem. A mensagem deve ser passada de forma o mais emocional possível. Regozijo, Raiva, Medo/Suplica e Lascívia provaram ser as emoções mais eficientes para isso, mas devem sempre estar de acordo com a mensagem que será enviada. Além disso a mensagem deve ser passada não como mera frase, mas sim como fortes cenas construídas pela imaginação do emissor. Um beijo, um tapa ou um abraço são sempre mais significativos do que apenas palavras e devem enriquecê-las na hora em que forem enviadas.

Repita a mensagem três vezes sentindo os mesmos sentimentos que ela deve evocar na outra pessoa. Feito isso respire fundo pelo nariz e mantenha o ar nos pulmões por alguns segundos e então expirando lentamente também pelo nariz recuperando a tranqüilidade. Diga para si mesmo com calma convicção que a mensagem foi enviada com sucesso para a pessoa. Mencione o nome da pessoa se possível.

Por fim tenha confiança na operação foi concluída com sucesso e ocupe-se com alguma outra atividade como a leitura, alimentação ou então retire-se para dormir. No dia seguinte fique atento para a reação do receptor. Os melhores resultados são aqueles que o receptor espontaneamente oferece em ser indagado ou questionado.

Dicas finais para a prática da Clarividência

Para tornar as coisas mais simples e fáceis as primeiras experiências com clarividência induzida podem ser feitas com alguém a quem se tem bastante afinidade e a mensagem deveria ser tão simples quanto "Entre em contato comigo", adquirindo sucesso nesta operação simples pode-se então seguir para execuções mais elaboradas e complexas até a maestria. A experiência deve ser feita nos dois sentidos de modo que se você for o emissor deve combinar posteriormente com o receptor para trocarem de papeis, desta maneira poderá mensurar suas qualidades individuais. Não é demais enfatizar que uma imaginação forte e uma vontade poderosa são dois ingredientes cruciais e qualquer exercício feito para fortalecê-las aumentará suas chances de sucesso.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Devorador de Sombras

Há um gênero literário que surgiu independentemente em diversas [épocas e nações: o roteiro do morto nas regiões ultraterrenas. O Céu e o Inferno de Swedenborg, as escrituras gnósticas, o Bardo Thödol dos tibetanos (título que, segundos Evans-Wentz, deve ser traduzido por Libertação por Audição no Plano da Pós-Morte) e o Livro Egípcio dos Mortos não esgotam os exemplos possível. As "afinidades e diferenças" dos dois últimos têm merecido a atenção dos eruditos; baste-nos repetir aqui que, para o manual tibetano, o outro mundo é tão ilusório quanto este, e, para o egípcio, é real e objetivo.

Há nos dois textos um tribunal de divindades, algumas com cabeça de macacos; nos dois, uma ponderação das virtudes e das culpas. No Livro dos Mortos, uma pena e um coração ocupam os pratos da balança; no Bardo Thödol, pedrinhas de cor branca e negra. Os tibetanos têm demônios que oficiam como ferozes verdugos; os egípcios, o devorador das sombras.

O morto jura não ter sido a causa de fome ou de pranto, não ter matado e não ter mandado matar, não ter roubado os alimentos funerários, não ter falsificado as medidas, não ter tirado o leite da boca da criança, não ter afastado do pasto os animais, não ter capturado os pássaros dos deuses.

Se ele mentir, os quarenta e dois juízes o entregarão ao devorador, "que é, na frente, crocodilo, no meio leão e, atrás, hipopótamo". É auxiliado por outro animal, Babai, do qual só sabemos que é assombroso e que Plutarco o identifica com um titã, pai da Quimera.

Fonte: O Livros dos Seres Imaginários - Jorge Luís Borges e Margarita Guerrero

Sereias

Ordinariamente contam-se três: Parténope, Leucósia e Lígea, nomes gregos que evocam as idéias de candura, de brancura e de harmonia.

Conta-se que no tempo do rapto de Prosérpina, as Sereias foram à Sicília, e que Ceres, para puni-las por não haverem socorrido a sua filha, mudou-as em aves. Ovídio, ao contrário, diz que as Sereias, desoladas com o rapto de Prosérpina, pediram aos deuses que lhes dessem asas para que fossem procurar a sua jovem companheira por toda a terra. Habitavam rochedos escarpados sobre as margens do mar, entre a ilha de Capri e a costa de Itália.O oráculo predissera às Sereias que elas viveriam tanto tempo quanto pudessem deter os navegantes à sua passagem; mas se um só passasse sem para sempre ficar preso ao encanto das suas vozes e das suas palavras, elas morreriam. Por isso essas feiticeiras, sempre em vigília, não deixavam de deter pela sua harmonia todos os que chegavam perto delas e que cometiam a imprudência de escutar os seus cantos. Elas tão bem os encantavam e os seduziam que eles não pensavam mais no seu país, na sua família, em si mesmos; esqueciam de beber e de comer, e morriam por falta de alimento. A costa vizinha estava toda branca dos ossos daqueles que assim haviam perecido.

Entretanto, quando os Argonautas passaram nas suas paragens, elas fizeram vãos esforços para atraí-los. Orfeu, que estava embarcado no navio, tomou a sua lira e as encantou a tal ponto que elas emudeceram e atiraram os instrumentos ao mar.Ulisses, obrigado a passar com o seu navio adiante das Sereias, mas advertido por Circe, tapou com cera as orelhas de todos os seus companheiros, e se fez amarrar, de pés e mãos, a um mastro. Além disso, proibiu que o desligassem se, por acaso, ouvindo a voz da Sereias, ele exprimisse o desejo de parar. Não foram inúteis essas precauções. Ulisses, mal ouviu as suas doces palavras e as suas promessas sedutoras, apesar do aviso que recebera e da certeza de morrer, deu ordem aos companheiros que o soltassem, o que felizmente eles não fizeram. As Sereias, não tendo podido deter Ulisses precipitaram-se no mar, e as pequenas ilhas rochosas que habitavam, defronte do promontório da Lucárnia foram chamadas Sirenusas.

As Sereias são representadas ora com cabeça de mulher e corpo de pássaro, ora com todo o busto feminino e a forma de ave, da cintura até os pés. Nas mãos têm instrumentos: uma empunha uma lira, outra duas flautas, e a terceira gaitas campestres ou um rolo de música, como para cantar. Também pintam-nas com um espelho. Não há nem um autor antigo que nos tenha representado as Sereias como mulheres-peixe, como muita gente atualmente as representam.

Saci

O Saci-Pererê é uma assombração das matas e áreas rurais. Pertence, originalmente, ao folclore do sul do Brasil. Sua figura, muito pequenina, é a de um negrinho perneta. Usa um gorro vermelho, fuma um cachimbo rudimentar, o pito, e tem as mãos furadas. O mito do saci é o resultado da convergência e mistura das crenças das três etnias que, historicamente, entre a colonização e o Império, formaram o povo brasileiro: índios, portugueses e negros.

Entre os tupi-guarani, relaciona-se a uma ave chamada Matinta-Perê [ou Matinta-Pereira] que, postada sobre uma só perna, emite um canto sombrio considerado de mau-agouro. Até hoje, uma das características e sinal da presença do saci é o seu assovio. A tradição, nascida no extremo sul, migrou com os índios para o centro-oeste e sudeste chegando, eventualmente ao norte-nordeste do país. É de origem indígena a denominação popular da ave: Saci, também chamada de "Peito-ferido".

Os portugueses fundiram a idéia da ave com as também pequenas criaturas dos bosques europeus, anõezinhos, alguns malvados, outros, apenas travessos que aparecem nos contos de fadas, como no clássico de Grimm Rumpelstiltskin: "um anãozinho muito feio dançando em uma roda de fogo com uma perna só". A idéia do pássaro foi, então, antropomorfizada. Mais tarde, os negros forneceram sua contribuição concebendo os sacis como almas penadas de crianças mestiças, bastardas, fruto das relações entre escravas e senhores, rejeitadas e freqüentemente abandonadas nas matas.

Finalmente, quando o mito se consolidava, entre os séculos XVIII e XIX, surgiu uma versão sobre o nascimento dos sacis, descrita por Monteiro Lobato [que também era pesquisador do folclore nacional] em sua obra infanto-juvenil O Saci: eles nasceriam nos seguimentos do bambu gigante chamado Taquaruçu onde se desenvolveriam até que, estando plenamente e magicamente formados, incluindo o gorro e o pito, rompiam as hastes e ganhavam o mundo passando a freqüentar fazendas e vilarejos onde praticam suas "artes": gorar ovos, chupar o sangue das vacas e cavalos, destes, também se ocupando em trançar-lhes as crinas, rezando o milho nas panelas para frustrar o desabrochar das pipocas, azedando o leite, gorando ovos, roubando fumo, que tanto apreciam, fazendo sumir pequenos objetos para perturbar a ordem doméstica, confundindo o caminho dos tropeiros e viajantes, assustando os animais com seu peculiar assovio.Essas travessuras, o saci faz somente para se divertir.

Como assombração que é, o saci tem o poder de aparecer e desaparecer por encanto e capturá-lo é é um procedimento relativamente difícil Segundo a tradição, relatada por Monteiro Lobato, a circunstância ideal para pegar um saci é em dias de ventania, quando aparecem redemoinhos de poeira e folhas secas. Produzir esses redemoinhos é uma das diversões dos sacis que, girando sobre a perna única, posicionam-se no centro da formação. O "caçador", munido com uma peneira "cruzeta" [que tem duas faixas em cruz como reforço no bojo], uma garrafa de vidro bem escuro e uma rolha também marcada com uma cruz na parte superior, aproxima-se do redemoinho e lançando a peneira bem no meio, aprisiona o duende.

SaciEm seguida, introduz a boca da garrafa levantando minimamente a peneira: o saci, buscando a escuridão, refugia-se dentro da garrafa que, então, deve ser rapidamente arrolhada. Lá permanecerá invisível, mais um truque para fazer com que pensem que conseguiu escapar. No entanto, em um dia de muito calor, quando o captor estiver imerso em profunda sonolência, ele se mostrará. Quem, além de capturar, conseguir se apossar do gorro do duende, adquire poder sobre ele, que se torna um escravo de quem realizar a proeza.

FONTES:
CASCUDO, Luis da Câmara. Geografia dos Mitos Brasileiros. São Paulo: Ed. da USP, 1983.
LOBATO, Monteiro. O Saci. São Paulo: Brasiliense, 1969.
ROMERO, Silvio. Contos Populares do Brasil. São Paulo: Ed. da USP, 1985.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Excertos de 'A Sociedade dos Vivos'

Héctor Ricardo Leis

Perder a vida; falecer, finar-se, morrer-se, expirar, perecer [Sin., muitos deles bras., pop. ou de gíria: abotoar, abotoar o paletó, adormecer no Senhor, apagar, apitar, assentar o cabelo, bafuntar, bater a alcatra na terra ingrata, bater a(s) bota(s), bater a caçoleta, bater a canastra, bater a pacuera, bater com a cola na cerca, bater o pacau, bater o prego, bater o trinta-e-um, bater o trinta-e-um-de-roda, botar o bloco na rua, comer capim pela raiz, dar a alma a Deus, dar a alma ao Criador, dar à casca, dar à espinha, dar a lonca, dar a ossada, dar com o rabo na cerca, dar o couro às varas, dar o último alento, defuntar, desaparecer, descansar, descer à cova, descer a terra, descer ao túmulo, desencarnar, desinfetar o beco, desocupar o beco, desviver, dizer adeus ao mundo, embarcar, embarcar deste mundo para um melhor, empacotar, entregar a alma a Deus, entregar a alma ao Diabo, entregar a rapadura, espichar, espichar a canela, esticar, esticar a canela, esticar o cambito, esticar o pernil, estuporar(-se), expirar, fechar o paletó, fechar os olhos, fenecer, finar(-se), ir para a cidade dos pés juntos, ir para a Cacuia, ir para a Cucuia, ir para bom lugar, ir para o Acre, ir para o beleléu, ir para o outro mundo, ir-se, ir(-se) desta para melhor, largar a casca, passar, passar desta para melhor, passar desta para melhor vida, pifar, pitar macaia, quebrar a tira, render a alma ao Criador, render o espírito, vestir o paletó de madeira, vestir o pijama de madeira, virar presunto] (Verbete do Dicionário Aurélio Eletrônico - V.2.0).

O sexo nunca foi algo desconhecido para os seres humanos, mas a civilização moderna o colocou no centro de um dispositivo que o transformou em "sexualidade". De acordo com Foucault, através desse mecanismo, o sexo acabou sendo um ponto denso das relações de poder na sociedade moderna. Sem eufemismo, hoje nos encontramos na época mais sexualizada de toda a História; do mesmo modo, a morte, que certamente nunca foi um fenômeno ignorado ou pouco central para a humanidade, está sendo alvo de um enorme dispositivo que a devassa sem piedade, transformando-a em outra coisa.

Sabemos que todas as grandes civilizações tiveram uma arte amatória, mas este não é o caso da sociedade ocidental moderna (que parece consolar-se desta carência, com a pornografia). Embora seja um fato menos conhecido, também se sabe que todas as culturas, exceto a cultura moderna, possuem uma ars moriendi (quem precisar uma prova acadêmica pode recorrer à Enciclopédia Britânica, onde, apesar do conhecido cuidado pela perspectiva histórica, da parte dos organizadores, não se encontrará nenhum verbete para apresentar a "arte de morrer", nem sequer em relação às culturas orientais).

Na maioria das culturas pré-modernas, a arte de morrer tem uma hierarquia não menor que a arte de viver. Existem textos que mostram até uma maior centralidade da primeira, como no caso de O Livro Tibetano dos Mortos ou O Livro Egípcio dos Mortos. Mas a leitura deste tipo de textos nem sempre foi uma exceção no Ocidente. Durante todo o Renascimento e nas primeiras fases da modernidade, conservaram-se os ensinamentos para aprender a morrer, através da leitura de textos e tratados medievais (Evans-Wentz, 1988). De fato, várias igrejas primitivas do Cristianismo (como, por exemplo, a grega, a siríaca, a armênia e a copta) incorporaram em seus rituais muitos princípios da arte de morrer. Mas que tipo de ensinamento sobre a morte poderíamos pretender hoje se, como acontece, todos os esforços parecem estar dirigidos a ocultar a morte? É obvio que qualquer que seja a cultura, a existência deste tipo de ensinamentos ou de uma arte de morrer, de modo geral, supõe dar um grande valor a esse momento. Certamente, a modernidade aponta em outra direção.

A propósito da morte detectamos um "buraco negro", uma zona obscura e mal resolvida da condição humana na sociedade moderna, talvez de maior importância que aquela referida à questão sexual. Pelo menos, com a saída da arte erótica, tivemos a entrada da ciência da sexualidade. Mas a saída da arte de morrer não foi substituída por nada, apenas pelo silêncio. Se queremos chamar "ciência da morte" a isto que se ensina aos pacientes nas salas dos hospitais, especialmente nas salas de terapia intensiva, certamente estaremos confundindo as coisas. Com dita ciência, aqueles que morrem são preparados a esperar sempre um pouco mais de vida, assim até o derradeiro minuto. Isto é, mal poderíamos chamar de "ciência da morte" a uma ciência médica que não tem nada a dizer sobre o fenômeno da morte, já que seu principal objetivo é encontrar a cura para todas as causas da morte.

Para comprovar o anterior, podemos ir a qualquer hospital e verificar que, por mais terminal que seja a condição do paciente, em qualquer circunstância, sempre se lhe fala sobre as alternativas de vida e nunca sobre as de morte (lembremos que o que acontece nos hospitais é decisivo para estudar este fenômeno, já que é aí onde morre a ampla maioria das pessoas .

A sociedade da alta modernidade parece promover a morte "pornográfica" no mesmo grau que oculta a experiência direta da morte. Neste sentido, é um sintoma ilustrativo de nossa cultura a profunda rejeição que sentem os adultos de falar sobre a morte com seus filhos ou de permitir que tenham contato com a morte de familiares, a fim de evitar-lhes o conhecimento de algo que acreditam fazer-lhes mal...

...o homem moderno encontra no silêncio dos hospitais a morte que ele "merece", à qual corresponde a sua impossibilidade de encontrar um sentido individual para ela.

...(Edgar Morin (1997) observa que tão cedo como em 1969, num colóquio sobre problemas humanos da biologia (organizado em Nova York pelo Salk Institute), já era possível ouvir alguém pedir a constituição urgente de um Comitê pela Abolição da Morte, sem provocar risos ou espanto no público. Bauman (1997) nos ajuda a lembrar, a propósito de um conto de Borges, o que estamos tentando esquecer: que ser imortal é coisa comum, que todas as criaturas são imortais...)

Existem basicamente três formas de enfrentar a morte (cf. Elias, 1987). Muitas religiões interpretam a morte como passagem para outra vida (circunstância que - é bom lembrar - não necessariamente deve ser interpretada como uma boa notícia). Podemos também fitar os olhos da morte, considerando nossa finitude um dado essencial da existência humana (o ser humano é um "ser-para-a-morte", definiu Heidegger (1951), e filosofar significa "aprender a morrer", nas palavras de Montaigne (1948)). Temos boas razões para suspeitar que os "secularizados" seres humanos que vivem na sociedade moderna tendem a acreditar cada vez menos na primeira visão. Do mesmo modo, se consultados, diriam que a segunda perspectiva é, pelo menos, depressiva e fora de época (uma prova indireta disto é que nos amplos questionários aplicados pela equipe de Inglehart (1997) em 43 países, para medir mudanças de valores, não aparece nenhuma pergunta sobre a morte; o mesmo tipo de sinal aparece nos bancos de dados dos departamentos de filosofia das universidades, nos quais comprovamos que atualmente nem os filósofos se ocupam deste tema).

A terceira possibilidade ou alternativa é simples, deduz-se por exclusão (ou abandono) das anteriores. Consiste em evitar todo pensamento sobre a morte, ocultando e reprimindo a presença do fenômeno da morte quanto seja possível. Elias desdobra esta perspectiva em um inesperado recurso à imortalidade, para o qual - segundo ele afirma - existe uma forte tendência na sociedade moderna. Assim, a morte seria evitada não apenas pela repressão de sua presença, mas também pela crença na imortalidade pessoal ("outros morrem, mas não eu"). Este insight de Elias (pouco aproveitado por ele mesmo) me parece de fundamental importância para entender a condição humana na sociedade atual. Talvez seja necessária uma pergunta óbvia: como é possível imaginar a existência de uma tendência significativa de indivíduos que acreditam na imortalidade pessoal, vivendo numa "sociedade reflexiva", numa sociedade que gira em torno da multiplicação constante de riscos que os indivíduos devem enfrentar com ajuda de sua própria razão, de uma forma ou de outra? Não encontramos, nas obras mais destacadas de autores importantes que pensam a modernidade (citemos o caso de Beck (1992) e Giddens (1991), por exemplo), alguma análise que possa explicar corretamente a hipótese de Elias.

O verdadeiro desafio não é hoje tornar mais sustentável ou mais reflexiva a sociedade moderna. A rigor, isto é secundário em face da necessidade de nutrir o homem contemporâneo com as vivências dos tempos antigos, quando a vida era um campo de amor e morte, sincrético e mutável, entre os deuses, os homens e a natureza (Leis, 1999).

Você já sonhou com este Homem?




Há não muito tempo atrás, num belo dia em Nova York, um homem vai ao psiquiatra falando sobre problemas da vida. No decorrer de suas falas, o homem diz que sonha esporadicamente com um homem que jamais viu na vida real. O psiquiatra, curioso, pede ao homem que diga como é o homem e, através das informações obtidas, consegue um retrato falado (conforme imagem acima) que, segundo o seu paciente, se aproxima bastante do homem com quem sonhou.

Apesar de tudo, o psiquiatra deixa o retrato em cima da mesa sem dar muita importância ao assunto. Na semana seguinte, ao atender outra paciente, ele nota que a mulher também reclama de sonhar com um homem com o qual jamais havia conhecido ou visto antes. O psiquiatra acha estranho e, por vias das dúvidas, mostra o retrato e, para sua surpresa, a mulher diz que é exatamente o homem com quem sonhou.

A princípio, o psiquiatra acha que se trata de alguma pessoa que apareceu num meio de comunicação em massa, na televisão, no jornal ou em propaganda impressa. Contudo, ele envia cópias desse retrato para colegas psiquiatras em todo país para que apresentarem a seus pacientes. e, como resposta, soube que haviam pelo menos outras 4 pessoas, em todo os EUA, que haviam sonhado com ele.

Dali em diante, o psiquiatra resolve espalhar panfletos e criar um site chamado, onde pessoas de todo mundo afirmam terem sonhado com este homem sem sequer tê-lo visto na vida. Estimasse que perto de 5 mil pessoas já sonharam com ele.

Há cartazes por todo o mundo, nas mais diversas línguas, perguntando para as pessoas quem seria este homem:
Irmãos e Irmãs, algum de vocês já sonhou com este homem?

Eu Não.

Há uma explicação bem simples para isso:

Reparem nos sonhos, reparem nas pessoas com quem você sonha, reparem que mesmo quando você conhece as pessoas que aparecem neles, elas não são perfeitas, possuem imperfeições, pois sonhos são LEMBRANÇAS (guarde bem essa palavra, usar-na-emos depois) e são em sua totalidade coisas que já aconteceram. Pessoas com as quais você convive, tendem a aparecer com mais detalhes nos sonhos (sua mãe, seu cachorro, a namorada, o demônio,..), já as pessoas que abarrotam nossos sonhos, podemos dizer assim, os figurantes deles, são pessoas que ocasionalmente vimos na rua, na panificadora, no banheiro público ou no shopping, no entanto, todas essas pessoas nós VIMOS em algum lugar antes.

Nos sonhos, somos incapazes de criar, não conseguimos imaginar coisas que nunca vimos antes. O que vemos ali são coisas que podemos até ter imaginado quando conscientes, mas que naquele momento não percebemos ou não damos conta. Posso afirmar que todos os literários, inventores e pesquisadores que tiveram um "Feeling" com base em sonhos estão ou equivocados porque não lembram sua verdadeira origem, ou então estavam mentindo-tindo-tindo.

Claro que os sonhos podem nos dar novas perspectivas sobre as coisas, nos definir idéias, nos mostrar caminhos pelos quais nunca passamos antes nas nossas vidas, mas eles não nos permitem CRIAR rotas neles.

O que acontece, como disse no começo, é que as coisas as quais não atemos aos detalhes podem assumir qualquer detalhe nos sonhos. São todas LEMBRANÇAS, como disse. Pode-se dizer que muitas pessoas já sonharam com pessoas que parecem ser iguais, como quando vemos vultos no escuro, mas que na verdade não são.

Ninguém nunca soube do paradeiro deste indivíduo, ninguém nunca o viu. Poderia ser ele um ser que entrasse no Subconsciente das pessoas, que aparecem em sonhos para transmitir idéias para elas? Mistério... De qualquer forma, se alguém aqui já sonhou com este homem ou tem mais curiosidade em saber a história por trás disso, pode acessar o site: www.thisman.org

Mas desde já aviso que Sou Cético Quanto Ao Resto