domingo, 28 de dezembro de 2014

AS BRUXAS DE SALEM

Salem é uma cidade localizada no Estado americano de Massachusetts, no Condado de Essex. Segundo o censo de 2000, a cidade tinha uma população total de 40 407 habitantes. Juntamente com Lawrence, forma a sede do Condado de Essex. O nome da cidade está relacionado à palavra árabe Salam, que significa 'paz'. Salem foi marcada pelos famosos julgamentos das Bruxas de Salem. Contudo, a cidade teve outras razões para entrar na história dos Estados Unidos, como o fato de ter sido um importante Porto comercial. As feiticeiras de Salem Há três séculos, o vilarejo de Salem, na colônia americana da Nova Inglaterra, foi tomado de assalto por uma onda de intolerância e de fanatismo religioso, vitimando quase vinte pessoas. Esse infeliz incidente, e a caça às feiticeiras que então se desencadeou, serviu como um alerta para que os princípios de liberdade religiosa fossem assegurados na história dos Estados Unidos. Salem é visitada por Satanás "É uma certeza que o demônio apresenta-se por vezes na forma de pessoas não apenas inocentes, mas também muito virtuosas." Rev. John Richards, século XV Mister Parris, o pobre reverendo de Salem, estava exasperado. Betty, a sua única filha de apenas nove anos, acometida por uma série de estranhos espasmos, jogou-se petrificada sobre o leito, negando-se a comer. Naquela perdida cidadezinha, ao norte de Boston, não existiam muitos recursos além de um velho médico que por lá se perdera. Chamado para diagnosticar a doença, atestou para o aterrado pai que a menina estava era enfeitiçada e que nada lhes restava a fazer além de uma boa e sincera reza. A conclusão do doutor correu de boca em boca e em pouco tempo os pacatos habitantes do pequeno porto tomaram conhecimento de que Satanás resolvera coabitar com eles. Simultaneamente outras garotas, as amiguinhas de Betty, começaram a apresentar sintomas semelhantes aos da filha do clérigo. Rolavam pelo chão, imprecavam, salivavam, grunhiam e latiam. Foi um pandemônio. Pressionado a tomar medidas, Parris resolveu chamar um exorcista, um caçador de feiticeiras, que prontamente começou sua investigação. No século XVII, poucos punham em dúvida a existência de bruxas ou de feiticeiras porque uma das máximas daqueles tempos é de que "é uma política do Diabo persuadir-nos que não há nenhum Diabo".
A inquisição Inquiridas por Cotton Mather, que iria se revelar uma espécie de Torquermada americano, as garotas contaram que o que havia desencadeado aquela desordem toda fora uns rituais de vodu que elas viram Tituba fazer. Essa era uma escrava negra que viera das Índias Ocidentais, e que iniciara algumas delas no conhecimento da magia negra. Durante o último longo inverno da Nova Inglaterra, ela apresentara várias vezes os feitiços para uma platéia de garotas impressionáveis. Educadas no estreito moralismo calvinista e no ódio ao sexo que o puritanismo devota, aquele cerimonial animista deve ter despertado as fantasias eróticas nelas. Provavelmente culpadas por terem cedido à libido ou apavoradas por sonhos eróticos, as garotas entraram em choque histérico. Seja como for o caso, merecia ser ouvido num tribunal. Toda a Salem se fez então presente no salão comunitário.
O tribunal Quando colocadas num tribunal especial, presidido pelo juiz S. Sewall, e inquiridas pelos juízes Corwin e Hathorne, as meninas começaram a apontar indistintamente para várias pessoas que estavam na sala apenas como curiosas. O depoimento mais sensacional foi o da escrava Tituba, que não só confessou suas estranhas práticas como afirmou que várias outras pessoas da comunidade também o faziam. A partir daquele momento, a cidadezinha que já estava sob forte tensão se transformou. Um comportamento obsessivo tomou conta dos moradores. Uma onda de acusações devastou o lugarejo. Vizinhos se denunciavam, maridos suspeitavam das suas mulheres e vice-versa, amigos de longa data viravam inimigos. Praticamente ninguém escapou de passar por suspeito, de ser um possível agente do demônio. Não demorou para que mais de 300 pessoas fossem acusadas de práticas infames. O tribunal que entrou em função em junho de 1692 somente parou em outubro. Resultou que dezenove pessoas foram enforcados. Os casos de bruxaria em Salém teriam tido influência de drogas? A vila de Salém era um lugar triste e sombrio no fim do inverno de 1692. Entre as imensas florestas e o mar vasto e calmo, parecia que o mundo estava se fechando para os colonos puritanos que habitavam a área. Duas tribos de nativos norte-americanos lutavam entre si em um lugar próximo. A varíola (em inglês) tinha começado a afetar a população de cerca de 500 pessoas. "Em 1692, era fácil acreditar que o diabo estava muito perto de Salém", escreve o historiador Douglas Linder (em inglês). "Mortes repentinas e violentas ocupavam as mentes das pessoas". A estrutura social também estava sob pressão. Três novas gerações haviam nascido na vila desde a chegada dos colonos originais, cada uma delas aparentemente mais afastada da devoção séria e religiosa ao código bíblico que havia guiado os puritanos da Europa para a imensidão norte-americana. O plano original dos puritanos de criar um novo Jardim do Éden parecia estar dando errado. Em fevereiro de 1692, o diabo, que na imaginação dos puritanos se escondia em cada sombra de Salém, finalmente apareceu. Os aldeões lutaram de maneira violenta e desenfreada contra ele. Nove meses mais tarde, 37 pessoas estariam mortas por causa dos julgamentos de bruxaria. Elas seriam mortas pelos próprios aldeões, pessoas com as quais haviam crescido, trabalhado e que as conheciam pessoalmente. Os colonos no Novo Mundo haviam sido examinados em busca de sinais de bruxaria e isso não era necessariamente raro. Mas nunca um grupo havia se comprometido dessa maneira com o que parecia ser uma loucura. Isso não significa que os aldeões de Salém estavam clinicamente loucos no inverno de 1692. É impossível fazer essa afirmação, mas historiadores procuram respostas para esse acontecimento desde que ele ocorreu. Em 1976, uma historiadora sugeriu que talvez um alucinógeno natural tenha sido a causa de um dos momentos mais tenebrosos da história norte-americana. Esporão do centeio: o LSD natural Em fevereiro de 1692, Elizabeth Parris, a filha do novo pastor da vila, ficou doente sem nenhuma explicação. A menina de 10 anos começou a ter um comportamento estranho: ela gritava com seu pai, jogava-se pelo quarto e reclamava que sua pele estava sendo beliscada e picada. O médico local William Griggs ficou perplexo com os sintomas da garota e depois que as tentativas de tratamento falharam, ele declarou que o demônio estava influenciando a garota: ela estava "possuída". Depois de um tempo, outras meninas na vila começaram a apresentar a mesma doença. Como os puritanos acreditavam que o diabo trabalhava junto às bruxas, os moradores de Salém, que já estavam desconfiados, começaram a suspeitar uns dos outros. No centro havia Tituba, uma escrava barbadiana que trabalhava para o reverendo Samuel Parris, o pai de Elizabeth. Tituba e outros moradores foram acusados pelas garotas que estavam sofrendo ataques e convulsões. Nenhum historiador chegou à conclusão de que realmente foi a bruxaria que causou as doenças nas meninas e existem várias explicações para as supostas possessões. Talvez a mais interessante seja a afirmação da historiadora Linda Caporael de que foi o envenenamento por esporão do centeio ou ergot que originalmente criou a histeria. O esporão é o resultado de um alcalóide tóxico (e geralmente fatal para os humanos) que se desenvolve no centeio. Por séculos, os fazendeiros souberam da existência do alcalóide, ao qual chamavam de capim, mas pensavam que ele era inofensivo [fonte: Shelton (em inglês)]. Algumas pessoas acreditavam que o capim, que parece um grão inteiro e preto, era simplesmente um grão queimado pelo sol [fonte: Caporael (em inglês)]. No entanto, não era esse o caso. Surtos de envenenamento por esporão do centeio já aconteceram em outros momentos da história e o caso mais antigo registrado aconteceu na Alemanha, em 857 d.C. A idéia de que o esporão do centeio estava causando uma doença horrível chamada Fogo de Santo Antônio apareceu em 1670, depois de uma investigação do médico francês chamado Thuillier [fonte: Universidade de Geórgia]. Mas apenas em 1853 Louis Rene Tulanse provou, sem deixar nenhuma dúvida, que esses capins estavam causando a morte agonizante de várias pessoas e animais. O simples fato de se comer um pão contendo a farinha feita com o grão infectado pelo esporão do centeio podia ser suficiente para matar uma pessoa. O envenenamento por esporão do centeio pode se manifestar de duas maneiras: ergotismo gangrenoso - causa queimação na pele, bolhas e apodrecimento das extremidades, que acabam caindo. A doença geralmente causa a morte da vítima; ergotismo convulsivo - ataca o sistema nervoso central, causando loucura, psicose (em inglês), alucinações, paralisia e sensações de formigamento. Esses sintomas fizeram a historiadora Caporael lembrar dos sintomas apresentados por Elizabeth Parris, principalmente a loucura. Registros feitos durante o ano de 1692 descrevem o comportamento que as garotas afetadas apresentavam. Ele tinha uma semelhança incomum com um estado alucinógeno, e o fungo contém isoergina, principal ingrediente da droga LSD. Será possível que Elizabeth Parris e as outras pessoas afetadas tenham comido centeio e contraído ergotismo convulsivo? Esporão do centeio: realidade ou ficção? Caporael não criou a sua teoria a partir do nada. A historiadora pesquisou a estação de crescimento do centeio, o grão em que o esporão parece crescer mais facilmente. Ela descobriu que houve um verão úmido em Salém, Massachusetts, antes do inverno de 1692 (o esporão se espalha mais facilmente em climas úmidos). A historiadora também pesquisou onde as famílias das garotas que sofreram os ataques, considerados feitiçaria pelos aldeões, pegavam os grãos. As duas primeiras garotas afetadas, Elizabeth Parris e Abigail Williams, eram primas e viviam na mesma casa, então as duas teriam comido os mesmos grãos. Além disso, 2/3 do salário de quem cuidava das garotas (o reverendo Parris) era pago em produtos, como grãos, em vez de em dinheiro [fonte: Caporael (em inglês)]. Os Parris poderiam ter conseguido de fontes diversas os grãos que comeram. A teoria do envenenamento por esporão do centeio parece explicar as aflições sofridas pelas garotas, mas a idéia foi contestada desde que foi apresentada em 1976. Alguns historiadores acreditam que seria possível que Elizabeth Parris, a primeira a garota a adoecer, tenha sofrido de alguma forma de envenenamento por esporão. No entanto, acredita-se que as outras garotas tenham aproveitado a oportunidade de afastar o tédio da vida colonial com uma farsa. Se isso for verdade, é difícil imaginar as reações delas quando os adultos tomaram as rédeas e começaram a enforcar seus vizinhos.
Outros historiadores não acreditam que o esporão tenha alguma ligação com os julgamentos das bruxas em Salém. O Dr. Peter Hoffer, professor de história da Universidade de Geórgia levanta algumas questões: "Por que aconteceu apenas com as garotas e não com os outros?" ele pergunta. "Por que apenas em 1692, por que nada aconteceu nos anos anteriores ou seguintes?" Hoffer, que já escreveu muitos textos sobre os julgamentos de bruxas em Salém, é um dos que acreditam que as garotas que acusaram os vizinhos de praticar bruxaria estavam pregando uma peça nas pessoas. Independentemente da causa, quer tenha sido envenenamento por esporão do centeio, uma brincadeira de criança, uma vingança por injustiças do passado, uma tentativa de se apoderar de terras ou histeria coletiva, os julgamentos de bruxas em Salém representaram um período tenebroso da história norte-americana. Se não fosse pelas confissões confusas que a escrava Tituba fez quando foi interrogada, pelo diagnóstico de feitiçaria feito pelos médicos, ou pelo barril de pólvora que Salém era na época, se qualquer uma dessas coisas não tivesse acontecido, talvez os julgamentos não tivessem ocorrido. Mas tudo se uniu e criou um ambiente cheio de suspeita e de impulsividade imprudente. Fontes: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/indice.htm http://www.oarquivo.com.br/index.php/polemica/historia/2269-as-bruxas-de-salem

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Como o Diabo ganhou o nome de Lúcifer

"Não consigo descobrir por que ele é chamado Lúcifer", afirmou Shelley em seu engenhoso ensaio sobre o Diabo, "exceto por uma passagem de Isaias erroneamente interpretada". Não podemos encontrar "Lúcifer" mesmo que examinemos cada página dos livros apócrifos e das pseudo-epígrafes. Lúcifer – como o nome do Diabo – não está nas Escrituras. Lúcifer, na verdade, não é nome de ninguém, significa apenas "o que leva a luz". Lúcifer é a estrela da manha, o planeta Vênus, que aparece antes do alvorecer. Ovídio menciona que cada novo dia começa quando "Lúcifer brilha radiante no céu, chamando a humanidade para seus afazeres diários. Lúcifer excede em brilho as estrelas mais radiantes". A identificação de Lúcifer com Satã vem de Isaias (14,13): "Como caíste do céu, ó Lúcifer, filho da alva!" Isaias não estava falando do Diabo. Usando imagens possivelmente retiradas de um antigo mito cananeu, Isaias referia-se aos excessos de um ambicioso rei babilônico que caiu no mundo dos mortos. Suas palavras passaram a significar uma referencia ao Diabo ao longo de quatro etapas: um rei tirânico é descrito em uma metáfora (o rei = uma estrela brilhante); e a expressão hebraica helel bem shahar = o que brilha) ou a grega eosphorus são traduzidas para o latim como a estrela da manha, Lúcifer, posteriormente, o rei tirânico é identificado com o Diabo; ergo Lúcifer torna-se outro nome para o Diabo. A resposta à questão de por que esse rei foi identificado com o Diabo é que isso resolvia o incomodo problema da natureza do Diabo. Origines, teólogo do século III não se esquivou ao problema: "Ninguém pode saber a origem do mal", escreveu ele, "sem ter entendido a verdade sobre o chamado diabo e seus anjos, e quem ele era antes de tornar-se um diabo e como ele se tornou um diabo". Se Deus criou o Diabo e este é em si mau, então Deus criou o mal. As implicações poderiam ser perturbadoras (em especial porque, como salientou Espinosa, o Diabo tenta as pessoas a fazer o mal, pelo que elas são punidas depois). Se o Diabo houvesse nascido mal, poderíamos dizer que ele pecou? Ele não teria opção, a não ser fazer o mal. Mas se Deus não criou o Diabo, Deus não é onipotente, e assim mergulhamos em um mundo maniqueísta, marcado pelo conflito entre bem e mal cujo resultado é inerentemente inconclusivo. Os padres cristãos do século XV resolveram o problema em duas etapas. Sim, Deus criou o Diabo, mas o Diabo não era inerentemente mau, quando foi criado; ele escolheu tornar-se mal. Portanto, Deus permanece onipotente, mas não é responsável pelo mal. Essa solução exigiu fundamento nas Escrituras, e o modo como esse fundamento foi providenciado explicará por que Lúcifer tornou-se um nome para o Diabo. O argumento de santo Agostinho, principal pensador cristão do inicio do século V, é instrutivo. Santo Agostinho foi muito mais influente do que Origines (que ele detestava). Podemos avaliar seu temperamento quando ele afirma que, embora homens bons e maus sofram igualmente, existe uma diferença crucial: "No mesmo fogo, o ouro brilha e a palha fumega, a borra não é confundida com óleo porque saíram da mesma prensa(..)A mesma agitação que faz a água fétida exalar mal cheiro faz o perfume emitir um odor mais agradável". Na terceira parte de A Cidade de Deus, sua principal obra, santo Agostinho explica a origem das duas cidades, a cidade de Deus e a cidade do Diabo. Originalmente, diz ele, todos os anjos eram seres da luz, criados "para viver na sabedoria e felicidade. Alguns anjos, porem, afastaram-se dessa iluminação". Se o Diabo é um anjo caído, ele tem de ter caído. Entretanto, a primeira epístola de João, assevera que "aquele que comete o pecado é do demônio, porque o demônio é pecador desde o principio. Para isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do demônio. Todo aquele que nasceu de Deus não comete pecado, porque sua semente permanece nele; e não pode pecar porque nasceu de Deus" (3,8-9). Isso implica que o Diabo não foi criado por Deus? O Diabo de são João e o de santo Agostinho não parecem ser o mesmo, mas santo Agostinho tinha uma resposta. João de fato escreveu que "o Diabo vive pecando desde o princípio", admite santo Agostinho, mas isso "deve ser entendido no sentido de que ele pecou não desde o princípio de sua criação, mas desde o principio do pecado, pois o pecado principiou no orgulho". Essa manipulação conduz à resposta para nossa questão inicial. Os maniques não entendem que, se o Diabo é mau por natureza, não se pode absolutamente falar em pecado. Eles não têm como objetar o testemunho dos profetas, por exemplo, quando Isaias, representando figurativamente o Diabo na pessoa do príncipe da Babilônia, pergunta: Como caíste do Céu, ó Lúcifer, filho da alva? Isto indica que: o Diabo esteve por algum tempo sem pecado. A explicação de santo Agostinho mostra que, na época em que ele esta escrevendo, Lúcifer não era um nome comum do Diabo. É bem verdade que, dois séculos antes, Origines interpretara partes do Levítico, Êxodo, Ezequiel e Isaias como referencias às manifestações do Diabo. Mas ninguém tentara obter as deduções minuciosas a respeito do Diabo com base nessas passagens, nem identificar o Diabo com o nome de Lúcifer. Origines estava tentando entender a natureza do mal. O objetivo de santo Agostinho era outro: queira identificar os hereges. Quem eram os anjos que seguiram Lúcifer? Eram hereges, assegurou santo Agostinho, o Diabo não possui poderes próprios, não possui território próprio e não é uma autocriação. Não existe um principio oposto a Deus que tenha criado o Diabo. O que aconteceu, explica, foi que originalmente o Diabo não tinha pecado, porem mais tarde (alguns dizem uma hora, outros, mais de uma semana) ele se afastou da verdade, como prova o Lúcifer citado por Isaías. Com efeito, Lúcifer tornou-se o nome do Diabo como parte do raciocínio usado para fundamentar a idéia de que o Diabo foi originalmente um anjo criado por Deus, mas que recusou a graça e deu as costas à verdade. A motivação por trás da interpretação de Isaías por santo Agostinho foi à luta deste contra "os maniqueus e semelhantes hereges venenosos que asseveram que o Diabo derivou sua natureza singularmente perversa de algum principio oposto a Deus". (Oito séculos mais tarde, são Tomas de Aquino diria o mesmo sobre o Diabo e os Maniqueus). Para combater o Diabo e defini-lo com mais clareza a passagem de Isaías foi entremeada com a quarta parte do Apocalipse (cap 12), onde é visto como um grande dragão vermelho: ...sua cauda arrastava um terço das estrelas do Céu, lançando-as para a terra... Houve então uma batalha no Céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o dragão. O dragão batalhou, juntamente com seus anjos, mas foi derrotado... Foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, o chamado Diabo ou Satanás, sedutor de toda a terra habitada – foi expulso para a terra, e seus anjos foram expulsos com ele(12,4 e 7-9). Satã tornou-se o anjo rebelde. Embora Satã, o Diabo e Lúcifer fossem o mesmo, sem a fusão de Isaias e Apocalipse, Dante no último canto do "Inferno", nunca poderia ter escrito a respeito de Lúcifer que: S'el fu si bello com' elli è or brutto, se ele já foi belo como hoje é feio, E contra 'I suo fattore alzà le ciglia, e ainda assim contra seu Criador ergue a mão, Bem dee da lui procedere ogni lutto. Verdadeiramente toda aflição deve proceder dele. Medonho e repulsivo como é Lúcifer na Divina Comédia, o anjo rebelde fizera da terça parte das estrelas do céu sua aliada, tendo um potencial para a transformação ausente no insignificante Satã hebreu e no Maligno do Novo Testamento. Embora Lúcifer fosse um nome adicionado ao de Satã, para Dante e a maioria da cristandade, Lúcifer precedeu Satã. Como o monge mundano dos Contos de Canterbury, de Chaucer, explicou em sua narrativa: Ó Lúcifer, de todos o mais brilhante anjo, És agora Satã, não podes escapar Da desgraça em que caíste. Lúcifer já foi belo como hoje é feio, lembrou Dante a seus leitores, mas somente a feiúra e maldade de Satã estiveram na mente dos crentes, pensadores, escritores e artistas durante mais de mil anos. Ate mesmo Botticelli, amante da beleza, desenhou uma fera repulsiva para ilustrar o Lúcifer de Dante. É verdade que o fez para ser condizente com o texto de Dante, mas ainda assim quase todas as pinturas e manuscritos iluminados da Idade Média e Renascença mostram um Satã hediondo. Miguel matando o medonho Satã em forma de dragão é um tema comum, mas Miguel lutando contra anjos rebeldes, não. A queda dos anjos rebeldes raramente é representada; quando o é, Satã e seus anjos aparecem como espíritos grotescos. O Lúcifer "belo", Satã antes da queda, é praticamente desconhecido. Uma notável exceção é a iluminura dos irmãos Limbourg do inicio do século XV. Deus e suas hostes estão no alto. Os anjos rebeldes são jogados para baixo em duas colunas, à esquerda e à direita, formando um V que culmina com Lúcifer entrando no inferno. Essas colunas de anjos rebeldes são mostradas em primorosos tons de azul e ouro; a disposição formal conduz a um olhar pelas duas colunas convergentes até o clímax da cena, apresentando Lúcifer no vértice. Esse movimento é reforçado pelo aumento gradual no tamanho dos anjos rebeldes à medida que caem em nossa direção, dirigindo-se ao Inferno. As proporções de Lúcifer são maiores do que as de Deus; ele é belo, o primeiro Lúcifer "belo" na historia da arte. Coube a Milton, no século XVII, imaginar um Satã no Inferno que mesmo assim conservasse o brilho do Lúcifer que ele fora outrora. E os românticos do século XIX recriaram o anjo Lúcifer reinterpretando as razões de sua queda. Mas a maioria das pessoas não sabe que foram os padres da Igreja do século V os responsáveis pela primeira e decisiva reinterpretação do motivo por que o anjo Lúcifer foi expulso de Céu. Fontes: http://www.mortesubita.org/ livro "O Diabo - Uma máscara sem rosto", páginas 28 até 33.

A Verdadeira Historia de Anabelle

Extraído do livro: The Demonologist: The Extraordinary Career of Ed and Lorraine Warren escrito por Gerald Brittle. Em 1970, uma mãe comprou uma antiga boneca Raggedy Ann como presente de aniversário para sua filha, Donna, uma estudante de enfermagem, que residia em um apartamento com sua companheira de quarto Anngie. Com o tempo, Donna e Angie notaram que parecia haver algo de muito estranho e assustador com a boneca. A boneca, aparentemente, movia-se sozinha! Annabelle, a boneca, não só se mexia, mas escrevia também. Elas encontraram mensagens à lápis sobre um papel de pergaminho onde lia-se "Help Us" e "Help Lou". A escrita à mão parecia pertencer a uma criança pequena.Um dia, ao inspecionar a boneca, Donna viu o que pareciam gotas de sangue na parte de trás de suas mãos e em seu peito. Assustadas e desesperadas, Donna e Angie decidiram que era hora de procurar aconselhamento especializado. Contactaram uma médium e uma sessão foi realizada. Donna foi então apresentada ao espírito de Annabelle Higgins. A médium relatou a história de Annabelle para Donna e Angie. Annabelle era uma jovem que residia na propriedade antes dos apartamentos serem construídos. Ela era uma menina de apenas sete anos de idade quando seu corpo sem vida foi encontrado no campo em que o complexo de apartamentos estava agora. Mesmo sabendo que a boneca estava possuída por um espírito, Donna permitiu que a boneca continuasse “possuída” para que Annabell pudesse ficar com elas. Um amigos das garotas chamado Lou nunca gostou dela. Ele foi dormir no apartamento e passou por uma experiência terrível. Ele disse que era como se estivesse acordado, mas sem poder se mover. Quando olhou para baixo em direção a seus pés, viu a boneca Annabelle. Ela começou a deslizar lentamente subindo por sua perna, depois sobre seu peito e então parou. Em poucos segundos a boneca começou a estrangulá-lo. Paralisado e ofegante Lou, no ponto de asfixia, apagou. No outro dia acordou e contou o caso, que era muito real para ser sonho. Mas calma ele ia sofrer mais... Uma noite, ele ouvi barulhos se alguém tivesse invadido o apartamento. Ele então vasculhou o local e encontrou Annabelle no chão. Quando se aproximou, algo o atacou e o fez 7 cortes no peito! Depois da experiência de Lou, Donna sentiu que era hora de procurar aconselhamento e entrou em contato com um padre episcopal chamado Padre Hegan. Padre Hegan sentiu que era uma questão espiritual e que precisava entrar em contato com uma autoridade maior na igreja, então ele contatou o Padre Cooke, que imediatamente contatou os Warren, que investigaram a fundo e descobriram que uma entidade maligna estava manipulando a boneca com o objetivo de possuir uma das meninas. Uma benção foi feita no apartamento e a pedido de Donna, os Warren levaram a velha boneca de pano junto com eles quando foram embora, e a colocaram no seu Museu do Oculto, onde está até os dias atuais. O que é ficção no filme: A boneca do filme é a mesma que a real? Não! A boneca Annabelle real é uma boneca estilo Raggedy Ann, e não aquela assustadora boneca de porcelana mostrada nos filmes Annabelle e "Invocação do Mal".
Esta é a verdadeira boneca Annabelle, em exibição no museu dos Warrens O marido realmente deu a boneca Annabelle para sua esposa grávida de presente na vida real? Não. No filme Annabelle, o marido John Form (Eric Laden) dá a boneca para sua esposa grávida Mia (Annabelle Wallis) como um presente. Tudo ficção. John e Mia Form são personagens fictícios. Como vimos na história real, a boneca Annabelle verdadeira foi dada como um presente de aniversário de uma mãe para sua filha, Donna, uma estudante de enfermagem que estava fazendo 28 anos. A mãe de Donna comprou a antiga boneca Raggedy Ann em uma loja de passatempo no ano de 1970. O filme mostra os acontecimentos antes da mãe comprar a boneca para Donna, oferecendo um relato fictício de como o demônio poderia ter entrado nela. Foram os proprietários anteriores da boneca realmente atacados por membros de um culto satânico? Não. Esta parte do filme é pura ficção, que acontece em 1969, um ano antes de Donna ter a posse da boneca na vida real. Ele foi criado para fornecer uma explicação ficcional sobre a forma como o espírito demoníaco se tornou ligado à boneca. Na vida real, o espírito finge ser a de uma jovem inocente chamada Annabelle Higgins (a real Annabelle Higgins supostamente morreu quando ela ainda era uma criança, e não como um adulto). Será que os proprietários realmente tentar jogar sem sucesso fora a boneca? Não. No filme, o marido John Form (Eric Laden) coloca a boneca no lixo antes do casal mudar, mas sua esposa Mia encontra ela mais tarde que ao desempacotar uma das caixas com os móveis. De acordo com a história da boneca Annabelle real, os proprietários nunca tentaram jogar fora a boneca. Será que o demônio ligado à boneca Annabelle realmente começou um incêndio na cozinha? Não. O história verdadeira não tem nenhuma evidência de que a boneca possuída era responsável por iniciar um incêndio na cozinha. Na verdade, toda a sequência envolvendo o incêndio é fictício. Ao mesmo tempo, o dono da boneca nunca machucou o dedo em uma máquina de costura. O demônio também nunca arrastou o proprietário através do chão de volta em direção ao fogo. É o personagem de Alfre Woodard, Evelyn, baseado em uma pessoa real? Não. No filme Evelyn (Alfre Woodard) é dono de uma livraria local onde Mia procura por livros sobre fantasmas. Evelyn é um personagem totalmente ficcional. E o que é real... Eles encontraram a verdadeira boneca Annabelle em diferentes posições e quartos? Sim. De acordo com a história dos Warrens, Donna, a estudante de enfermagem que dividiu o apartamento minúsculo com sua companheira de quarto Angie, uma enfermeira, voltava para casa e descobria que a boneca estava em posições diferentes. No início, seus movimentos eram sutis e confinado à cama onde Donna deixava a boneca. No entanto, os movimentos se tornaram mais evidentes e Donna e Angie começaram a descobrir a boneca em salas diferentes do que haviam deixado. Ela aparecia no quarto de Donna mesmo a porta fechada! Às vezes, eles encontraram a boneca com as pernas cruzadas e os braços cruzados, enquanto em outras ocasiões, em pé, encostada a uma cadeira da sala de jantar. Eles ainda descobriram ela de joelhos sobre uma cadeira, o que era estranho, porque se eles tentassem fazer a boneca ajoelhar, ela caia. Será que a boneca Annabelle deixava mensagens? Sim. De acordo com a história contada por Ed e Lorraine Warren, a ex-dona da boneca Annabelle, Donna, alegou que ela encontrava mensagens escritas a lápis, com uma letra infantil em papel pergaminho. As mensagens eram "Help Us" e "Help Lou" (Lou era amigo das garotas). O mais estranho é que Donna não tinha papel de pergaminho no apartamento e não tinha idéia de onde ele veio. Sangue apareceu na boneca Annabelle? Sim, pelo menos de acordo com a história dos Warrens. Ed e Lorraine Warren afirmam que proprietário original da boneca, Donna, uma estudante de enfermagem, chegou em casa do trabalho e encontrou o que parecia ser sangue na parte de trás da mão da boneca e três gotas de sangue em seu peito. Não houve explicação para a forma como a substância vermelha tinha chegado lá. Este evento é o que levou a proprietária da boneca, Donna, entrar em contato com uma médium. A boneca Annabelle infligiu dano físico a alguém? Sim, mas não ao ponto mostrado no filme. Um homem chamado Lou era o noivo da colega de quarto de Donna, Angie, e tinha estado com eles desde que a boneca chegou. Lou não gostava de boneca e advertiu Donna que ela era má. Uma noite, Lou acordou de repente de um sono profundo e se deu conta de que ele era incapaz de se mover. Ele viu a boneca Annabelle a seus pés e viu como ele lentamente deslizou sua perna e sobre o peito. Antes que ele percebesse, a boneca começou a estrangulá-lo até que ele desmaiou. Ele acordou na manhã seguinte, certo de que sua experiência não foi um sonho. Em uma ocasião posterior, Lou e Angie estavam estudando mapas para se preparar para uma viagem quando ouviram barulhos vindo do quarto de Donna. Lou se aproximou da porta fechada e esperou que os ruídos parassem antes de entrar. entrou, acendeu a luz e viu Annabelle deitada no chão em um canto. Caminhou até a boneca, mas, como ele diz, começou a sentir que alguém estava atrás dele. Ele se virou, mas ninguém estava lá. Em um instante, algo arranhou seu peito, que agora estava sangrando. Após a inspeção, descobriu sete arranhões em forma de garras em seu peito (quatro horizontais e três verticais) que eram quentes como queimaduras. Os arranhões curaram rapidamente e sumiram em dois dias. Visitando a Boneca Como foi dito no final do filme, a boneca real está localizado no Museu do Oculto dos Warrens, em Monroe, Connecticut. No momento, passeios são limitados e estão apenas sendo feitos através de um evento íntimo chamado Warrenology. Para saber mais, vá até o site dos Warrens. Fontes (Acessadas em 09/10/2014): - AssombradO.com.br: Annabelle: A Boneca Demoníaca - AssombradO.com.br: Os Warrens - AssombradO.com.br: Harrisville - History Vs Hollywood: Annabelle

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O EVANGELHO DE BARNABÉ

O evangelho de Barnabé Uma bíblia secreta? Será que uma “Bíblia secreta” descoberta em uma operação de contrabando turca contém a verdade real sobre a identidade de Jesus Cristo? De acordo com um oficial turco, um texto envolto em couro de 1.500 anos, oculto secretamente por 12 anos, poderia ser a versão autêntica do Evangelho de Barnabé. Blogs muçulmanos estão enlouquecendo com as notícias da descoberta. De acordo com alguns estudiosos islâmicos, o Evangelho de Barnabé foi “ocultado pela igreja cristã por conter fortes paralelos com a visão muçulmana de Jesus”.[1] Refletindo essa crença muçulmana, uma pesquisa do site islâmico revela que mais da metade dos leitores acreditam que o Evangelho de Barnabé é o verdadeiro Evangelho de Jesus.[2] O autor muçulmano Muhammad Ata ur-Rahim declara: “O Evangelho de Barnabé é o único evangelho remanescente escrito por um discípulo de Jesus… “.[3] Rahim afirma que o evangelho circulou amplamente na igreja primitiva até 325 d.C. De acordo com esta “Bíblia secreta”, Barnabé foi um dos doze apóstolos originais de Jesus. Contudo, no livro de Atos, Lucas apresenta Barnabé como um apóstolo que veio depois dos doze originais, e um colega missionário do apóstolo Paulo. Em suas viagens, Paulo e Barnabé declararam firmemente a morte, ressurreição e domínio de Jesus no primeiro século.[4] Um Jesus diferente? Apesar de o documento chamado Evangelho de Barnabé conter a maior parte das mesmas informações contidas nos evangelhos do Novo Testamento, ele difere profundamente com relação à identidade de Jesus Cristo. Essas são algumas das diferenças significativas no Evangelho de Barnabé: Nega a divindade de Jesus Rejeita a trindade Nega a crucificação de Jesus Nega Jesus como messias (essa visão não está de acordo com a do Alcorão) O antigo manuscrito turco diverge dos ensinamentos do Alcorão chamando Maomé de messias em vez de Jesus.[5] Contudo, como no Alcorão, o Evangelho de Barnabé apresenta Jesus como um mero mortal. Nele, Jesus supostamente diz: “Confesso perante os céus e tenho como testemunha tudo o que habita a terra, que estou alheio àquilo que os homens falam de mim, dizendo que sou mais que um homem. Pois eu sou um homem, nascido de uma mulher e sujeito ao julgamento de Deus, que vive aqui como qualquer outro homem, sujeito aos mesmos tormentos”.[6] Claramente o Evangelho de Barnabé mostra Jesus negando sua divindade, onde o apóstolo Paulo nitidamente escreve de Jesus como Deus Filho, Criador do mundo: No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava com Deus no início. Através dele todas as coisas são criadas, sem ele nada pode ser feito. … O Verbo se tornou carne e veio habitar entre nós. Nós vimos sua glória…[7] Quem é o Jesus real? Nesta passagem, João declara que realmente viu Jesus. Posteriormente ele nos conta que o tocou, viajou com ele e ouviu seus ensinamentos por três anos. Ele fala de Jesus como um amigo. Mas o autor do Evangelho de Barnabé não faz tais declarações. Ambos as escrituras também divergem quanto à crucificação de Jesus. O Evangelho de Barnabé apresenta Judas Iscariotes como aquele que morreu na cruz no lugar de Jesus, enquanto que no Novo Testamento, Judas trai Jesus. Ao contrário do ensinamento islâmico de que a morte de Jesus na cruz nunca ocorreu e teria sido desnecessária, toda a mensagem cristã baseia-se na morte de Jesus como o Salvador dos nossos pecados e sua ressurreição como esperança de vida eterna.[8] Ambas as mensagens não podem ser verdadeiras. Então como sabemos qual Jesus é real? Apesar de estudiosos usarem vários testes para determinar a confiabilidade de um manuscrito, o mais importante é se este é ou não um relato de uma testemunha ocular. Em um tribunal de júri, uma testemunha ocular é sempre considerada superior ao testemunho de alguém que não presenciou o crime. Podemos saber se o Evangelho de João ou o Evangelho de Barnabé são relatos de uma testemunha ocular? Uma das razões de os estudiosos citarem a autoria de João é o fato de os historiadores da igreja primitiva atribuírem-lhe a escritura do evangelho. Mas para ter sido escrito por ele, deve tê-lo sido durante a vida de João. Se houver evidências de o evangelho ter sido escrito após o início do segundo século, quando João já estava morto, este não poderia ter sido escrito por ele. Da mesma maneira, se o Evangelho de Barnabé foi escrito após a vida de Barnabé, ele não poderia ser um relato de uma testemunha ocular. Contudo, se qualquer dos evangelhos puder ter suas origens rastreadas até primeiro século, a probabilidade de serem confiáveis aumenta muito. Então, o que as evidências mostram? Comecemos pelo Evangelho de Barnabé. O Evangelho de Barnabé é o relato de uma testemunha ocular? A “Bíblia secreta” descoberta na Turquia é considerada uma cópia de quinze séculos de idade. Se isso for verdade, ela teria sido escrita de 400 a 500 anos após a morte e ressurreição de Jesus, quando as testemunhas oculares já estavam mortas. Mas, visto que é uma cópia, o original poderia ter sido escrito no início do primeiro século. Para descobrir, precisamos verificar os registros históricos das histórias cristã e muçulmana. Existem somente dois manuscritos antigos do Evangelho de Barnabé além do descoberto na Turquia: um manuscrito italiano datado do século XV ou XVI e uma cópia espanhola do mesmo período que foi perdida.[9] O texto recém-descoberto no manuscrito turco está em aramaico. Nenhuma dessas cópias está em grego, a língua de Barnabé e dos apóstolos. Duas listas cristãs de trabalhos apócrifos, dos séculos V e VII, mencionam “um Evangelho de Barnabé.” Se estas referem-se ao mesmo evangelho, o texto teria sido escrito cerca de 400 a 500 anos depois de Cristo, ou antes. Mas isso ainda seria várias centenas de anos após o primeiro século. Os Atos de Barnabé é um trabalho apócrifo do século V dirigido à igreja de Chipre que é por vezes confundido com o Evangelho de Barnabé. O único livro do primeiro século atribuído ao apóstolo Barnabé é a Epístola de Barnabé, que é uma escritura apócrifa, não incluída no Novo Testamento. Essa carta do primeiro século fala de Jesus como o Senhor crucificado e revivido. Os estudiosos acreditam que foi escrito por Barnabé entre 70 e 90 d. c. Mas, se Barnabé escreveu sobre Jesus como o Senhor no primeiro século na Epístola de Barnabé, por que teria escrito de Jesus como um mero profeta no Evangelho de Barnabé? Por que escreveria dois relatos contraditórios sobre Jesus? A Epístola de Barnabé é aceita por estudiosos como um autêntico relato de Jesus do primeiro século, que está de acordo com o Novo Testamento. Contudo, o Evangelho de Barnabé é um livro completamente diferente com uma linha temporal diferente. As seguintes evidências sugerem que o Evangelho de Barnabé não foi reconhecido como um evangelho do primeiro século pelos muçulmanos ou cristãos antigos:[10] Nenhum escritor muçulmano faz referência a ele até o século XV ou XVI. Nenhum escritor cristão faz referência a ele desde o século I até o século XV. A referência mais antiga a ele é do século XV, mas isso ainda é duvidoso. Ele cita fatos históricos que ainda não iriam existir por centenas de anos.[11] Uma falsificação medieval? A grande questão que não quer calar é: Por que não teriam os estudiosos muçulmanos escrito sobre o Evangelho de Barnabé, se este existia quando ambos muçulmanos e cristãos debatiam acaloradamente sobre a identidade de Cristo, entre os séculos VII e XV? Não existe nenhuma menção desse trabalho. Além disso, escritores cristãos (como Irineu) escreveram extensivamente sobre documentos anticristãos, como os evangelhos gnósticos, classificando-os como hereges. Ainda assim, apesar das afirmações do escritor islâmico Rahim, nenhuma das cartas ou documentos de Irineu menciona o Evangelho de Barnabé. Não existe simplesmente nenhuma menção dele por nenhum escritor cristão ou muçulmano antigo. Talvez a maior indicação de sua data tardia seja que o Evangelho de Barnabé descreve a vida medieval na Europa ocidental, bem como um jubileu de 100 anos, que não foi declarado até o século XIV. Como Barnabé ou qualquer outro escritor do século I poderia saber tais detalhes históricos anos antes deles serem declarados? O Dr. Norman Geisler conclui: “As evidências de que esse não foi um evangelho do século I, escrito por um discípulo de Cristo, são esmagadoras”.[12] As evidências não só vão contra ele ter sido escrito por Barnabé no primeiro século, mas alguns estudiosos acreditam também que o evangelho é uma falsificação. Um especialista declara: “na minha opinião a pesquisa acadêmica provou completamente que esse ‘evangelho’ é falso”.[13] Estudiosos cristãos e seculares não estão sozinhos em seu veredito de que alguém alterou o texto, fazendo-o parecer de forma fraudulenta o trabalho do companheiro de Paulo, Barnabé. Essa opinião também é sustentada por diversos estudiosos muçulmanos.[14] The Concise Encyclopedia of Islam afirma: “com relação ao Evangelho de Barnabé, não há dúvidas que se trata de uma falsificação medieval”.[15] Porém, como indicado anteriormente, estudiosos muçulmanos também argumentam que a mensagem do Novo Testamento foi “corrompida” pela Igreja, apresentando um Jesus diferente do que viveu na Galileia de 2 mil anos atrás. Isso nos leva à questão de sua confiabilidade. Podemos descobrir o Jesus real através dessas páginas? O Novo Testamento é confiável? Teriam os livros do Novo Testamento sido escritos cedo o suficiente para serem relatos de testemunhas oculares? Se sim, devem ter sido escritos durante o primeiro século. Examinemos as evidências e comparemos as datas do Novo Testamento com o que descobrimos sobre o Evangelho de Barnabé. A história fornece pistas de três fontes primárias das datas de origem dos 27 livros do Novo Testamento: Testamentos de inimigos da igreja Relatos cristãos antigos Cópias de manuscritos antigos Testemunho dos hereges A primeira pista é uma lista parcial dos livros do Novo Testamento criada pelos inimigos da igreja chamados de hereges. Como párias da igreja, os hereges não precisariam concordar com os líderes da mesma sobre a autoria ou data do Novo Testamento. Ainda assim, dois hereges antigos, Marcião e Valentim, de fato atribuíam as escrituras de vários livros do Novo Testamento e suas passagens aos apóstolos. Em 140 d.C., o herege Marcião listou 11 dos 27 livros do Novo Testamento como sendo os escritos autênticos dos apóstolos. Por volta da mesma época, outro herege, Valentino, faz menção a uma ampla variedade de temas do Novo Testamento e suas passagens. Isso nos diz que em meados do século II, muitos livros do Novo Testamento já circulavam há algum tempo. Mesmo “párias” hereges aceitavam essas narrativas do Novo Testamento como relatos do testemunho dos apóstolos. Relatos cristãos antigos Nossa segunda pista é o vasto número de cartas, sermões, comentários e crenças cristãs antigas que fazem referência a Jesus como o Senhor revivido. Eles aparecem a partir de cinco anos após sua crucificação. Apesar de muitas escrituras terem sido queimadas sob o edito do imperador romano Diocleciano, milhares sobreviveram. O número de tais documentos é impressionante, mais de 36 mil escrituras completas ou parciais foram descobertas, algumas até mesmo do primeiro século.[16] Suas palavras poderiam praticamente reproduzir todo o Novo Testamento, com a exceção de poucos versos.[17] Como isso se compara com o Evangelho de Barnabé? Já notamos que existem apenas duas citações deste que são anteriores ao século XV, e há dúvidas de que essas referências sejam sobre o “Evangelho de Barnabé” em questão.[18] As escrituras mais antigas, fora do Novo Testamento, eram de homens que conheciam e seguiam Paulo, Pedro, João e os outros apóstolos. Esses líderes da igreja antiga não eram testemunhas oculares de Jesus, mas souberam dele através daqueles que realmente o viram e ouviram. De maneira significativa, suas escrituras confirmam muitos detalhes do Novo Testamento sobre Jesus, incluindo sua crucificação e ressurreição. As mais importantes escrituras antigas, fora do Novo Testamento, são de Clemente Romano, Inácio de Antioquia e Policarpo de Esmirna. Em 96 d. c., Clemente Romano escreveu uma longa carta para a igreja de Corinto na qual citou Mateus, João e 1 Coríntios. Alguns acreditam que ele é o Clemente mencionado por Paulo em Filipenses 4:3. Visto que a carta de Clemente foi escrita em 96 d.C., esses três livros devem ter sido escritos antes disso. Em cerca de 110 d.C., Inácio de Antioquia, um discípulo do apóstolo João, escreveu seis cartas a igrejas e uma a um colega bispo, Policarpo, nas quais faz referências a seis das cartas de Paulo. Policarpo de Esmirna, outro discípulo do apóstolo João, faz referência a todos os 27 livros do Novo Testamento em sua carta à igreja filipense (110 a 135 d.C.). Portanto, os evangelhos devem ter existido durante o primeiro século enquanto algumas testemunhas (incluindo João) ainda estavam vivas. Não vemos tal referência antiga à existência do Evangelho de Barnabé. Cópias de manuscritos antigos Nossa terceira pista é a abundância de manuscritos antigos do Novo Testamento que ajudaram os estudiosos a determinar a data aproximada de sua composição original. Arqueólogos descobriram mais de 5.600 cópias de manuscritos do Novo Testamento no idioma grego original, alguns livros completos e alguns fragmentos. Contando outros idiomas, existem mais de 24 mil.[19] Claramente, 5.600 contra três é uma vantagem numérica enorme de manuscritos para o Novo Testamento. Além disso – e comparando-se ao período tardio do Evangelho de Barnabé - arqueólogos descobriram fragmentos do Novo Testamento que datam de uma a duas gerações depois de Cristo. No início do século XX, um fragmento do Evangelho de João foi descoberto no Egito (especificamente P52: João 18:31-33) datando de 117 a 138 d.C. O renomado estudioso bíblico Bruce Metzger comentou a significância desta notável descoberta: Assim como Robinson Crusoé viu nada mais que uma única pegada na areia, e concluiu que um ser humano de dois pés estava presente na ilha com ele, o P52 [o título do fragmento] prova também a existência e o uso do Quarto Evangelho durante a primeira metade do século II… “[20] A descoberta deste fragmento significa que uma geração depois de João ter escrito seu evangelho, uma cópia havia migrado da Ásia menor até o Egito. Existem muitos outros manuscritos antigos datados da metade do século II até os séculos IV e V. Livros completos do Novo Testamento datam de 200 a 1500 d.C., e estão preservados em vários museus (Papiros de Bodmer).[21] Um fragmento de papiro ainda mais antigo dos Manuscritos do Mar Morto (7Q5) foi identificado por um paleógrafo como uma parte do Evangelho de Marcos datando de cerca de 50 d.C., significativamente antes do fragmento P52 de João. O professor do Novo Testamento, Daniel B. Wallace, que estudou o fragmento dos Manuscritos do Mar Morto, concorda que este é do primeiro século.[22] Apesar de haver discussões sobre este fragmento, as evidências coletivas de outros manuscritos apoiam fortemente um Novo Testamento escrito no primeiro século. Consenso dos estudiosos Antes dessas descobertas, importantes estudiosos alemães do final do século XIX e início do século XX argumentavam que o Novo Testamento havia sido escrito por autores desconhecidos no século II. Porém essa nova evidência revela que os livros foram todos escritos no primeiro século. O historiador Paul Johnson escreve: A noção do fim do século XIX e início do século XX de que o Novo Testamento era uma coleção de registros tardios e altamente imaginativos, não pode mais ser seriamente mantida. Ninguém duvida agora que as epístolas de São Paulo – os registros cristãos mais antigos – são autênticas ou datam-nas depois da década de 50 d.C.[23] O arqueólogo William Albright concluiu que todo o Novo Testamento foi escrito “muito provavelmente em algum momento entre 50 e 75 d.C.”.[24] O estudioso de Cambridge John A. T. Robinson afirma datas ainda mais antigas. Ele acredita que a maior parte do Novo Testamento foi escrita entre 40 e 65 d.C.[25] Robinson baseia sua conclusão primariamente no fato de todos os livros do Novo Testamento não mencionarem a destruição de Jerusalém. Um evento chave como esse com certeza seria mencionado por eles caso tivesse ocorrido antes de serem escritos. Outras evidências de uma data anterior são as mortes de Pedro e Paulo em 66 d.C., que não são mencionadas em nenhum livro. Há uma quantidade incrível de detalhes sobre suas vidas no Novo Testamento, por que não de suas mortes? Isso convence muitos estudiosos de que tais mortes não haviam ocorrido na época em que os textos foram escritos. O consenso da maioria dos estudiosos hoje é que as cartas de Paulo começaram no início da década de 50 e os evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) foram escritos de início a meados da década de 60.[26] As estimativas sobre os outros livros variam de 40 a 95 d.C., mas o consenso é que todas as escrituras do Novo Testamento foram compostas no primeiro século. Essas conclusões significam que os relatos do Novo Testamento sobre Jesus foram escritos de sete a 30 anos após sua morte, quando milhares de testemunhas estariam vivas para negar tais fatos se eles estivessem errados. Apesar disso, não existem contestações dos relatos dessas testemunhas. As evidências de confiabilidade do Novo Testamento excedem todas as outras da história antiga. John A. T. Robinson escreve: “a riqueza dos manuscritos e sobretudo o breve intervalo entre sua escritura e as cópias mais antigas existentes, tornam-no certamente o texto mais aceito dentre todas as escrituras antigas do mundo”.[27] De fato, o Novo Testamento possui muito mais manuscritos com datas muito mais antigas que oEvangelho de Barnabé, como se vê no quadro abaixo. Compare o Novo Testamento e o Evangelho de Barnabé TESTES DE CONFIABILIDADE NOVO TESTAMENTO EVANGELHO DE BARNABÉ Data do original 40 a 95 d. c. 400 a 1500 d. c. Cópias verificadas mais antigas 117 a 138 d. c. 400 a 1500 d. c. Intervalo desde o original 22 a 98 anos Indeterminado Anos depois de Cristo 7-30 370-1,470 Número de manuscritos no idioma original 5,600+ Nenhum Número de manuscritos em todos os idiomas 24,000+ 3 Citações em outros documentos históricos 36,000+ 2 Conclusão Enquanto a “Bíblia secreta” chamada de Evangelho de Barnabé foi escrita de 400 a 1500 anos depois de Cristo, a maioria dos estudiosos acredita que os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas foram escritos no primeiro século, uma geração depois de Cristo. Ao ler o Novo Testamento, é evidente que os escritores tentaram registrar verdadeiramente a vida, palavras e eventos relacionados a Jesus. Lucas, autor do Evangelho de Lucas e do livro dos atos, coloca desta maneira: Muitas pessoas puseram-se a escrever relatos sobre os eventos realizados entre nós. Eles usaram relatos de testemunhas que circulam entre nós pelos primeiros discípulos. Tendo investigado tudo detalhadamente desde o início, I também decidir escrever um relato detalhado para você, nobre Teófilo, para que possa ter certeza da verdade de tudo o que lhe foi ensinado.[28] As antigas escrituras do Novo Testamento sugerem fortemente que podemos saber o que Jesus ensinou e como ele realmente era, através das palavras dos que o conheceram, suas testemunhas. Uma testemunha, o apóstolo Pedro, escreveu: Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; Nós vimos seu esplendor majestoso com nossos próprios olhos.[29] Pedro e as outras testemunhas proclamaram audaciosamente “Jesus como Senhor” sob o risco de perderem suas vidas. Talvez o legado de seu compromisso inabalável seja a evidência mais convincente de todas que o Novo Testamento, e não o Evangelho de Barnabé, apresenta o Jesus real. Quem Jesus declarava ser? Descubra em: http://y-jesus.org/portuguese/wwrj/1-jesus-pessoa-real/ Clique aqui enviar comentario. Permissão para a reprodução deste artigo: O autor permite a reprodução deste material sem necessidade de aprovação escrita, apenas na sua totalidade e para fins não lucrativos. Nenhuma parte deste material pode ser alterada ou usada fora do seu contexto, sem a permissão escrita do autor. Cópias impressas das revistas Y-Origins e Y-Jesus podem ser encomendadas em: http://jesusonlineministries.org/resources/products/ © 2010 B&L Publications. Este artigo é um suplemento da revista Y-Jesus pela Bright Media Foundation & B&L Publications: Larry Chapman, Editor Chefe. Para outros artigos que abordam as evidências sobre Jesus Cristo, veja www.y-jesus.com.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

ESTRANHA FUMAÇA É SOLTA NO AR DE DIVERSAS CIDADES PELO MUNDO

Esses dias, eu vi uma coisa muito estranha aqui perto de casa, e o que eu vi me causou estranheza, um avião de pequeno porte subindo na vertical em grande velocidade e soltando uma fumaça branca, como estava de ônibus não pude parar para ver melhor, mas conversei com outras pessoas sobre o fato e descobri que esse evento é comum a algum tempo. E antes que alguém questione se não era um avião comercial, já respondo agora mesmo que não, pois nenhum avião comercial fica subindo por ai na vertical. Também não era um avião militar pois o mesmo era totalmente branco e desprovido de qualquer logo, posso afirmar com segurança pois ele estava em baixa altitude quando começou a subir na vertical. Pesquisando na internet e na deep web, vi algumas teorias plausiveis e outras totalmente descartaveis ao meu ver, mas que colocarei todas aqui para que o leitor tire suas propias conclusoes. Primeira Teoria Aviões disfarçados de aeronaves comerciais, estão soltando um tipo de produto desconhecido sobre a população para testar seus efeitos, alguns afirmam que possa ser algum tipo de virus outros ja dizem que podem ser produtos quimicos jogados sobre a população.
Segunda Teoria Essa fumaça possui um agente espessante que a faz ficar muito larga ao ponto de se parecer com uma enorme nuvem, só que artificial. E essa nuvem serviria para esconder da população algo que o governo não quer que seja visto e que a algum tempo já poderia ser visto a olho nu, em diversos pontos do planeta.
Por enquanto não colocarei a minha opnião final sobre o assunto pois acredito que o buraco é mais em baixo, com certeza esses aviões não estão em varias partes do mundo fazendo isso a toa. E quando eu tiver mais informações voltarei como nova materia no blog.